Aurora boreal no sul dos EUA: Detonação nuclear de alta altitude

O céu dos Estados Unidos passou por um raro e belo fenômeno atmosférico no dia 26/10/11. Michigan, Arkansas e grande parte do sudeste do país puderam ver o céu brilhante ficar com tons estranhos de várias cores por causa da Aurora Boreal. Uma câmera capturou imagens de uma Aurora Boreal não-polar formada no céu do Kansas, no sul dos Estados Unidos. Olha só:

Auroras só deveriam ocorrer próximo aos polos norte e sul, onde o campo magnético é mais fraco. A ocorrência de auroras longe dos polos magnéticos norte e sul poderiam ter 3 motivos:

- O campo magnetico da Terra sofreu manipulação com tecnologia HAARP ou está enfraquecido.
- As tempestades solares estão mais fortes.
- Detonação nuclear em alta-altitude.

Auroras são fenômenos ópticos observados nos céus noturnos nas regiões polares, em decorrência do impacto de partículas solares ou poeira espacial com campo magnético da Terra. Ocorre normalmente nas épocas de setembro a outubro e de março a abril. Em latitudes do hemisfério norte é conhecida como aurora boreal. No hemisfério sul é conhecida como aurora austral.

O fenômeno não é exclusivo da natureza, sendo também reproduzível artificialmente através de explosões nucleares ou em laboratório.

Aurora artificial

As auroras também podem ser formadas através de explosões nucleares em altas camadas da atmosfera (em torno de 400 km). Tal fenômeno foi demonstrado pela aurora artificial criada pelo teste nuclear estadunidense Starfish Prime em 9 de julho de 1962. Nessa ocasião o céu da região do Oceano Pacífico foi iluminado pela aurora por mais de sete minutos. Tal efeito foi previsto pelo cientista Nicholas Christofilos, que havia trabalhado em outros projetos sobre explosões nucleares. De acordo com o veterano estadunidense Cecil R. Coale, alguns hotéis no Havaí ofereceram festas da bomba de arco-íris em seus telhados para acompanhar o Starfish Prime, contradizendo relatórios oficiais que indicavam que a aurora artificial era inesperada. O fenômeno também foi registrado em filme nas Ilhas Samoa, em torno de 3.200 km distante da ilha Johnston, local da explosão.

As simulações do efeito em laboratório começaram a ser feitas no final de século XIX pelo cientista norueguês Kristian Birkeland, utilizando uma câmara de vácuo e uma esfera, provou que os elétrons eram guiados em tal efeito para as regiões polares da esfera. Recentemente, pesquisadores conseguiram criar um efeito auroral modesto visível da terra ao emitir raios de rádio no céu noturno, tomando uma coloração verde. Da mesma forma que o fenômeno natural, as partículas atingiam a ionosfera, excitando os elétrons no plasma. Com a colisão dos elétrons com a atmosfera terrestre as luzes eram emitidas. Tal experimento também aumentou o conhecimento dos efeitos da ionosfera nas comunicações por rádio. Esse experimento também lembra a tecnologia HAARP.

Operação Starfish-Prime – Aurora artificial

A operação Starfish-Prime foi um teste nuclear de alta altitude executado pelos Estados Unidos no dia 9 de julho de 1962, realizado pela Atomic Energy Commission (AEC) e a Defense Atomic Support Agency (DASA). Um foguete Thor transportou uma ogiva nuclear W49, a detonação ocorreu numa altitude de 400 km sobre as Ilhas Johnston no Oceano Pacífico. A bomba atômica tinha uma potência de 1,4 MTon. [1] O artigo “A ‘Quick Look’ at the Technical Results of Starfish Prime”, descreve da seguinte forma: “Em Kwajalein, a 1450 milhas para o oeste, uma nuvem densa e nublada se estendeu por todo o horizonte oriental entre 5 e 8 graus. A 9:00 UTC, um flash branco muito brilhante queimou as nuvens intensamente que mudaram rapidamente sua forma para uma esfera verde que se expandiu no céu claro acima do tempo nublado.

As gigantescas formas não desapareceram e persistiram, a duração do evento foi em torno de 45 segundos. A luz esverdeada em seguida se transformou em púrpura, começou a enfraquecer a partir ponto da explosão, um brilho vermelho muito intenso e luminoso começou a desenvolver no horizonte se expandindo de dentro e para cima, até dominar todo o céu num semicírculo vermelho. A “luz obliterou o brilho de algumas estrelas, também houve a formação de arco-íris brancos que persistiram por sete dias”.

“Cerca de um segundo após a explosão, ao remover os óculos de proteção, não se observou luz intensa, porém, um disco vermelho e difuso foi observado diretamente em cima e cobrindo o céu até aproximadamente 45° do zênite. Ao longo da linha norte-sul criada pela explosão, se estendeu uma raia de cor branco-amarela que cresceu ao norte próximo ao zênite. O crescimento da região era semelhante à aurora boreal e se estendeu para o norte. Apareceram novas linhas de radiação que se desenvolveram de oeste para leste.

A aurora radioativa branca e amarela serpenteava e retorcia, retrocedendo acima do horizonte ao norte e crescendo em direção ao sul. “O disco vermelho tinha completado seu desaparecimento após dois minutos. Após 400 segundos da ignição nuclear todos os fenômenos radioativos visíveis desapareceram, com exceção de um leve brilho avermelhado ao longo da linha norte-sul, e no horizonte, em direção ao norte. Nenhum som foi ouvido em Johnston Island que poderia ser atribuído à detonação.”[2] Foram observados sinais eletromagnéticos muito fortes durante a explosão atômica, ocorreram perturbações do campo magnético terrestre significantes, as correntes induzidas na superfície se fizeram sentir em todo o Planeta. O Pulso eletromagnético ficou reverberando por um longo tempo. As induções eletromagnéticas nas rochas ígneas da Terra reverberaram também no seu núcleo [3].

O teste Starfish Prime foi realizado na alta atmosfera devido a sua rarefação na altitude de 400 quilômetros. A aproximadamente 1500 quilômetros de distância do epicentro da explosão, sobre o Havaí, o pulso eletromagnético (EMP) danificou trezentos postes de iluminação pública. A emissora local de televisão e várias emissoras de rádio foram literalmente queimadas. Os fios de alta tensão de energia elétrica das cidades próximas à região da explosão se fundiram. Também diversos transformadores de alta potência foram danificados. Os Sistemas de controle de tráfego (Sinaleiros, etc) pararam de funcionar ou foram destruídos. Em Kauai, o EMP derrubou ligações interurbanas, além de destruir as linhas telefônicas submarinas que faziam a conexão com outras ilhas. O céu em toda região do Pacífico foi iluminado por uma aurora artificial por sete dias. Os efeitos foram preditos por Nicholas Christofilos, um cientista que tinha trabalhado na Operação Argus também executada em alta altitude. [3] [4] De acordo Cecil R. Coale, alguns hotéis no Havaí sabendo que o teste seria realizado ofereceram festas nos seus telhados, contradizendo alguns relatórios que a aurora artificial era inesperada. De acordo com o Departamento norte-americano de Energia e o Escritório de Informação Científica e Técnica, a aurora também era visível e foi registrado em filme nas Ilhas Samoa, aproximadamente 3200 quilômetros de Johnston Island. [5] [1]

Pelo efeito da explosão, algumas das partículas beta seguiram as linhas de campo magnético da Terra gerando a eletroluminescência. Os elétrons altamente energéticos dos cinturões de radiação de Van Allen foram capturados pelos novos cinturões de radiação artificiais que foram gerados em torno do Planeta. Estudos da magnitude, do potencial e dos efeitos adversos de radiação depois da detonação foram feitos na região. Na medida em que era feita a avaliação global, foi observado que três satélites de órbita baixa foram destruídos pelo pulso eletromagnético. Em seguida, à medida que se coletavam dados, os cientistas observaram que um terço de todos os satélites de órbita baixa foram danificados. [6] A radiação remanescente danificou equipamentos eletrônicos de outros satélites que aos poucos pararam de funcionar. Fato inesperado foi que o primeiro satélite de comunicação comercial, o Telstar há 35.0 Km de distância foi literalmente “queimado” pela radiação, saindo fora do ar imediatamente após a explosão. A princípio, o governo dos Estados Unidos se recusou a reconhecer e indenizar os estragos que ocasionou alegando ser “causa fortuita”.[4] [7] Uma vez que o teste realizado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos tinha finalidade militar [4], a coleta de dados foi desastrosa [1]. A necessidade de dados mais precisos sobre a radiação dos cinturões de Van Allen, que continuaram após a explosão nuclear, levou Edward Teller desenvolver um instrumento de satélite inventado e construído inicialmente por um estudante recém diplomado chamado James H. Trainor [9] do Departamento de Física na Universidade de New Hampshire [5]. O inventor havia originalmente projetado o instrumento para estudar albedo de nêutrons dos raios cósmicos. O aparelho foi requerido para fazer a leitura da radiação para o governo norte-americano. O cientista não foi informado porque seu equipamento estava sendo apropriado pelo governo, o laboratório foi intimado a remetê-lo imediatamente, e contra a vontade de seu inventor [1], [2], e, às pressas para a Califórnia onde os engenheiros militares iriam enxertá-lo em outro equipamento antes de ser lançado em órbita. Quando os dados do satélite voltaram para a Terra, depois de uma semana da detonação, Trainor foi convidado a uma reunião científica, onde os dados compilados pelo seu instrumento foram discutidos no Lawrence Livermore Laboratory. [1] Em 1963 o Diário de Pesquisa Geofísica informou que a experiência Starfish Prime tinha criado um cinto de elétrons de vários MeV em torno da Terra, Bill Hess informou em 1968 que alguns elétrons do experimento Starfish Prime permaneceram durante cinco anos. [8] Outros informaram que partículas radioativas do Starfish Prime estavam descendo há algum tempo para Terra e estariam se acumulando em organismos vivos terrestres como fungos e líquens. A bomba Starfish-Prime continha Cd-109, que se misturou nas massas de ar sazonais polares e tropicais. A EMP medida por Richard L. Wakefield de Los Alamos viajou por todo o Planeta e ao espaço interplanetário. O 1962 relatório de Wakefield foi obtido através de medidas do intervalo de tempo do sinal eletromagnético recebido dentro aviões C-130 a 753 milhas náuticas da explosão da bomba atômica, a 1 graus 16 Norte, 15 graus 7 Oeste, e a 24.750 pés de altitude. [1]

As únicas nações que detonaram bombas atômicas no Espaço são os Estados Unidos e a União Soviética. O propósito era determinar a viabilidade de armas nucleares como meio de defesa contra míssieis, como também encontrar meios para destruir satélites e veículos espaciais em órbita tripulados e não tripulados no espaço. [3], [4] Como foi percebido que detonação de armas nucleares em alta atmosfera criaram um pulso eletromagnético gigantesco, o potencial como uma arma de anti-satélite ficou aparente. Em agosto de 1958 na explosão nuclear Hardtack Teak, o EMP observado no Observatório de Apia na Samoa foi quatro vezes mais poderoso que qualquer criado por tempestades solares que atingiram a Terra, enquanto em julho de 1962 o Starfish Prime, danificou a eletrônica de praticamente todos equipamentos: rádios, centrais elétricas, centrais telefônicas, emissoras de televisão, etc, em Honolulu e na Nova Zelândia, a aproximadamente 800 milhas de distância, fundiu 300 sistemas de iluminação de rua em Oahu ( Havaí), provocou aproximadamente 100 danos em alarmes dos mais diversos, causou a interrupção de comunicações de microondas em estações repetidoras em Kauai, além de literalmente cortar o robusto sistema telefônico submarino das outras ilhas havaianas. [6], [10], [1] O raio de ação para a aniquilação total de satélites devidas várias radiações produzidas por tal arma nuclear no espaço, foi determinado para ser em torno de 80 km, a bomba explodida, destruiu o satélite de comunicações distante 35.0 km. Os problemas com armas nucleares levadas ao espaço, é o raio de ação muito grande associado com eventos nucleares, era quase impossível prevenir dano indiscriminado a outros satélites, incluindo os próprios satélites americanos. O Starfish Prime produziu um cinturão de radiação artificial no espaço tão forte, que de imediato destruiu os satélites Ariel, Traac, e Trânsito 4B que simplesmente “morreram” ao passar pela região. Os satélites Cosmo V, Injun e o Telstar (geoestacionário), distante 35.0 km da Terra, sofreram degradação secundária, “morrendo aos poucos”. A taxa da dose de radiação foi pelo menos 60 rads/dia, durante pelo menos quatro meses. [10] Em geral, os efeitos nucleares no espaço têm uma influência qualitativa diferenciada do que na superfície da Terra. Uma explosão nuclear atmosférica tem uma característica de cogumelo, em alta-altitude as explosões espaciais tendem a manifestar uma nuvem esférica, outras explosões no espaço anteriores até torceram o campo magnético de terra, e as partículas carregadas que são o resultado da explosão podem cruzar hemisférios para criar uma exibição de aurora que levou à caracterização destas detonações como “as bombas de arco-íris”. Os efeitos visuais de uma explosão no espaço podem durar muito mais tempo que os testes atmosféricos, às vezes mais de 30 dias. Os soviéticos detonaram quatro bombas atômicas de alta-altitude, um em 1961 e três em 1962. Durante a Crise de Mísseis cubanos em 1962 [7], os EUA e a URSS detonaram várias explosões nucleares. Os testes soviéticos foram para demonstrar as defesas aéreas anti-balísticos que protegeriam suas cidades principais. Os piores efeitos de um teste russo foram muito parecidos com a explosão nuclear de Starfish Prime. A explosão nuclear soviéticos aconteceu no dia 2 de outubro 1962 (durante a crise de mísseis cubanos), na “Operação K” quando uma bomba atômica de 300 KT detonou perto de Dzhezkazgan a 290 km altitude. O EMP fundiu 570 km de linha telefônica com uma corrente medida de 2.500 A, e destruiu 1.0 km de cabos de energia de potência enterrados entre Aqmola e Almaty. Os danos que ambos causavam a si mesmos (EUA e URSS) e ao ambiente foram tão grandes, que o Tratado de Proibição de Teste Parcial Atmosférico e Exoatmosférico foi firmado no ano seguinte, depois de terminadas as explosões nucleares na alta atmosfera.

[1] “Operation Dominic”. Nuclear Weapon Archive. (http://nuclearweaponarchive.org/Usa/Tests/Dominic.html. Acessado dezembro de 1997).

[2] Narin, Francis; “A ‘Quick Look’ at the Technical Results of Starfish Prime. Sanitized Version”, Pgs. 19-21, LOS ALAMOS SCIENTIFIC LAB ALBUQUERQUE NM, (http://w.stormingmedia.us/1/145/A14559.html. Acessado em julho de 1997)

[3] Defense Atomic Support Agency. Project Officer’s Interim Report: STARFISH Prime. Report ADA955694. August 1962.(http://w.dtic.mil/cgi-bin/GetTRDoc? AD=ADA955694&Location=U2&doc=GetTRDoc.pdf Acessado março de 1997.)

[4] Defense Nuclear Agency. Operation Dominic I. 1962. Report DNA 6040F. (First published as an unclassified document on 1 February 1983.) Page 228-229. (http://searchworks.stanford.edu/view/1916765 Acessado maio de 1997)

[5] Vittitoe, Charles N., “Did High-Altitude EMP Cause the Hawaiian Streetlight Incident?” Sandia National Laboratories. June 1989. (http://w.ece.unm. edu/summa/notes/SDAN/0031.pdf Acessado maio de 1997)

[6] Dyal, P., Air Force Weapons Laboratory. Report ADA995428. “Operation Dominic. Fish Bowl Series. Debris Expansion Experiment.” 10 December 1965. Page 15. (http://w.stormingmedia.us/82/8245/A824599.html. Acessado junho de 1997.).

[7] United States Central Intelligence Agency. National Intelligence Estimate. Number 1-2A-63. “The Soviet Atomic Energy Program.” page 4. (http://w.foia.cia.gov/doc_list_soviet_communism.htm. Acessado agosto de 1997).

[8] Dyal, Palmer (2006). “Particle and field measurements of the Starfish diamagnetic cavit”. Journal of Geophysical Research 1 (A12211): A12211. (http://dx.doi.org/10.1029%2F2006JA011827 Acessado março de 2010).

[9] Trainor, James H.; Observatory: Helios 2 http://vho.nasa.gov/vxo/metadata.php? id=spase://VEPO/NumericalData/Helios2/E8/PT1H

[10] Early, James M.. “Telstar I – Dawn of a New Age”. Southwest Museum of Engineering, Communications and Computation. (http://w.smecc.org/james_early___telstar.htm. Acessado dezembro de 1997)

[1] Hess, Wilmot N. (September 1964). The Effects of High Altitude Explosions. National Aeronautics and Space Administration. NASA TN D-2402. (http://ntrs.nasa.gov/archive/nasa/casi.ntrs.nasa.gov/19640018807_1964018807.pdf. Acessado em dezembro de 1997.)

Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAmroAH/a-experiencia-starfish-prime-detonacao-nuclear-na-alta-atmosfera

Veja também:

Você sobreviveria sem eletricidade por quanto tempo?

Bombas eletromagnéticas (E-Bombs – PEM – EMP)

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2 pensamentos em “Aurora boreal no sul dos EUA: Detonação nuclear de alta altitude

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